O Anjo Da Morte


       Todos pensamos na morte como algo súbito e sombrio, acreditamos que a Dona Morte virá com uma foice, e nós que somos pecadores queimaremos eternamente no fogo do inferno. 
   Certa madrugada eu tive um sonho estranho no qual um homem reluzente com cachos aparentemente bonitos e louros, de penas cintilantes nas enormes asas que ao mesmo tempo que dava admiração, assustava, falou-me: 
      - Vim lhe preparar para a chegada hora de morte! 
     Quando pensei em abrir os meus lábios que estavam trêmulos, ele já havia desaparecido. 
  Acordei apavorada, suando friamente e meus pulsos acelerado, meu coração estava batendo descompassado, tudo que me recorria à memória era o anjo, que até então, era misterioso. 
     Levantei da minha cama retirando as cobertas, que estavam molhadas do meu suor frio e apavorante. Fui andando apoiando as mãos quentes nas frias paredes até chegar à cozinha. Sentei-me em um banco de madeira próximo ao balcão, pensei uns instantes comigo mesma – não seja tola, foi só um sonho – e levantei vacilando as pernas trêmulas, em seguida peguei um bolo de cenoura coberto de chocolate, que nem sei quem o fez: - veja que injustiça esqueci de perguntar ao padeiro – disse isso baixo para mim mesma. 
       Quando acabei de comer, o nem tão horrível bolo, lembrei que certa vez quando eu era apenas um anjo com asas pequeninas, cabelo liso com enormes cachos nas pontas, brincava ao redor do jardim cobertos por lírios, rosas, violetas e tantas outras flores, e sujava minhas mãos de terra fazendo bolinhos. Enquanto isso lembro que minha amada mãe, sentada em uma cadeira posta na varanda, olhava-me com seu olhar materno e ao dar 15h01min ela chamava-me para merendar seus deliciosos bolos. Recordo-me que certa vez, pouco antes de minha mãe me chamar, eu estava sentada observando ao meu redor, olhando todos os trabalhadores de bem, queria que o mundo e as pessoas fossem melhores. É queria sim! Eu acreditava na bondade divina, na justiça do ser supremo, até ele levar minha mãe para perto de si, me deixando abandonada com aquele padrasto miserável frequentador de bares e bordeis, tive que me virar sozinha mãe, se hoje eu sou assim, amarga, culpe a Deus e não a mim. 
       Não entendi o porquê de lembrar-me desse acontecimento, olhei-me no espelho deparei com meus olhos verdes e iguais ao de um diamante, não porque brilhava, mas porque era duro e cortava a todos que o olhavam. Lavei minha cara de sono, tomei um banho quente, vestir minhas roupas e fui ao meu escritório. 
       As empregadas olharam-me como sempre, dava seus bons dias, mas eu nunca os respondia. Nesse dia a rotina foi pior do que todos os dias, mesmo me produzindo toda ficava aparentemente bonita por fora, mas quem fosse olhar diante dos meus olhos e pudesse enxergar minha alma – se é que tenho uma – veria tanta escuridão que não daria para apreciar nem uma beleza, nem um raio de luz sequer. Minha vida amorosa era uma negação, sempre achava um defeito nos idiotas, que segundo eles se apaixonavam por mim, como se eu não tivesse um, enjoava, mandava-os embora, afinal eu era independente, rica, não precisava deles. Sei que meu secretário tem uma quedinha por mim, mas nunca me disse nada, então que assim seja. 
       Eu estava literalmente vegetando na mesa, tratando meus clientes como devem ser tratados, sendo bajulada como sempre, comendo besteiras na hora do almoço, e pulando sempre as malditas 15h01min. Já quebrei milhares de relógios quando eu os olhava nesse horário, mas hoje vou deixar este infeliz tagarelar com os números e passear pelo maldito passado que me recorre a memória.             Finalmente, acabou o turno de trabalho, me degusto das comidas deliciosas do meu restaurante favorito, vou embora, tomo meu banho e durmo. Nem lembrava mais do maldito sonho, até deitar e sonhar novamente, sempre as mesmas palavras: 
    - Vim lhe preparar para a chegada hora de morte! Mas dessa vez tinha um detalhe diferente, ele deixou com que eu visse os seus olhos azuis de anjo e sua aureola dourada. Vi um vulto que passou entre ele dizendo que não conseguiria. 
      Acordei novamente sem entender, não sei dizer se estava mais ou menos assustada, mas a rotina praticamente foi a mesma ou pior que a anterior, bolo horrível como sempre, não sei por que eu teimava em comprá-los, talvez eu queria sentir novamente o gosto da infância, o gosto da felicidade em comer o bolo da minha mãe, mas nunca achava eles tão bom, afinal, o bolo dela, era único. 
      E quando digo que aconteceu exatamente a mesma coisa eu não estava brincando, até mesmo o sonho foi exatamente igual. 
     Dessa vez, quando acordei, fiz tudo diferente, resolvi acordar mais cedo e eu mesma fazer o bendito bolo, arrumei meu quarto pela primeira vez, desde que me mudara para aquela casa, tomei um banho gelado, dessa vez, me arrumei para o trabalho, e fui comer meu bolo quentinho, não era lá essas cozinheiras toda, mas até que o bolo não havia ficado ruim. Quando acabei, decidir ir andando para o trabalho, já que faltavam algumas horas para meu turno. Andando pela calçada e observando como era a cidade, vi uma livraria e decidir entrar. Lá vi um livro branco, com letras azuis cintilantes, que destacava na branquidão do livro o seguinte título: COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ. Nas primeiras estrofes, havia uma pergunta sobre o que você faria se esse fosse seu ultimo dia. O livro me chamou a atenção! Tirei uns trocados da bolsa e paguei. 
     Olhei meu relógio, e sair às pressas, já estava quase no meu horário, seria o tempo exato para chegar até o trabalho. Quando cheguei, dei bom dia a todos pela primeira vez, e eles me olharam com um ar de dúvida, tanto pelo bom dia quanto pelo meu dia de hoje, ser de folga, e eu havia me esquecido. 
     Já que não tinha que trabalhar, decidir ir ao parque central que ficava próximo ao escritório. Chegando lá, estava tudo quieto, talvez porque ainda fosse cedo, não tinha ninguém, exceto eu e uma velhinha, que alimentava os pássaros. Sentei em um velho banco de madeira rebuscado, que ficava embaixo de uma laranjeira, tirei meu livro da bolsa e comecei a ler. Era uma história bastante interessante, na qual, o verso final dizia: 

Escutei meus sonhos em tua liberdade, 
morreu em mim toda escuridão, 
quando eu o vi, Ó anjo da morte! 
Foi como se meu coração desacampasse 
de toda escuridão que morria em crueldade. 
Foste tu, meu amado anjo, 
que me fez querer mudar, 
eu via o sol arder em minha pele 
mas não o via iluminar. 
Aos meus ais, deixo morrer 
toda lembrança ruim, 
que fez minha vida escurecer. 
E por ti, anjo bom 
eu morri e vivi, 
porque na verdade nunca soube viver. 
Agora mudei, 
deixei de devorar toda a maçã, 
envenenada. 
Me dediquei a ti, e ao nosso Deus 
que me fizeste compreender e ser amada, 
e aprendi que: 
nessa vida devemos aproveitar todo dia 
como se não houvesse o amanhã.
    
     Admito que isso mexeu com meu psicológico, li o livro tão rápido e despercebido que mal sentir fome e já eram, coincidentemente, 15h01min da tarde. Quando olhei o relógio, ao invés de sentir ódio, sentir pena de como aquilo que deveria ser lembrado com carinho, era tão vasto e tão cruel. Pela primeira vez, desde que minha mãe se fora, eu comecei a me debruçar em lágrimas sem saber por quê. Talvez porque eu tivesse desperdiçado a minha vida inteira, querendo um culpado para a minha desgraça, que me esqueci de culpar a mim mesma, esqueci de ser uma pessoa melhor, esqueci de ter visto a vida com outros olhos, esqueci de olhar não para a vida, mas como ela realmente deveria ser olhada, toda dor e sofrimento foi fruto dos meus sentimentos, poderiam ser entendidos, mas não justificados. Pela primeira vez, conseguir sentir vontade de morrer, mas não de morrer com morte morrida e sim da morte do que eu era na vida, renascer para ser uma nova mulher, que deve enxergar a vida como ela realmente é, e tratar melhor as pessoas que convivem comigo, tratar bem as empregadas, e os clientes que atendo todo dia. Deixar morrer a futilidade e a arrogância do meu espírito, deixar de exacerbar a minha alma, e torná-la não tão pura como a água limpa, mas como realmente deveria ser, mesmo cheias de impureza ter a chance de se infiltrar e ser pura novamente. Viver não como um(a) FAROESTE CABOCLO(A), mas como PAIS E FILHOS, porque eu sou a música de quem diz SERENÍSSIMA, um animal sentimental, embora não me apegue facilmente, muitas vezes algo desperta o meu desejo. E por isso ao sair de lá eu resolvi voltar ao meu escritório, falar com meu secretário, dar a chance a ele de se declarar, de ver o que eu sentiria, de se sentir viva como mulher amada, agora ‘’morrida’’ aos poucos do que eu era, e vivendo para o que eu deveria ser: Filha de Deus, vivendo cada dia como se não houvesse outro, e fazendo de tudo para ser melhor e amar a todos, afinal é assim que deve ser. 
     Nessa noite, quando tive meu alto resgate, o anjo apareceu novamente, mas de uma forma diferente, dizendo: 
        - Vim para lhe dar os parabéns, você se deixou morrer e agora está começando a viver bem. Orai e vigiai, ame a todos e primeiramente a você mesma, se queres chegar ao plano mais elevado, ame a seu pai, nosso Deus, e tudo na sua vida será abençoado. 
       Pude dizer amém e ser derramada, com as bênçãos de luzes, que caíram do céu. Termino dizendo que você não seja uma pessoa amarga, deixe o açúcar se diluir na sua alma, ame e seja amada, pois só assim será recompensada, não por bens materiais, mas por uma vida de repleta paz.

Autora: Paula Stephany - Aluna da 3ª série do Ensino Médio - Colégio Estadual Olavo Alves Pinto.

A vida e o silêncio


  • No silêncio vemos de tudo Dor, alegria, paz e solidão Só não dá pra sentir O que vem do coração
    Foi o silêncio que contou Que o mundo está sofrendo Seja por uma causa ou outra Mais pessoas estão morrendo
    Foi o silêncio que contou Que as escolas mudaram Onde alunos não respeitam Professores que tanto ensinaram
    Foi o silêncio que contou que nos momentos de enfermidade Irá aparecer somente Aqueles amigos de verdade
    Foi o silêncio que contou Que a busca pela felicidade tem que partir de sua parte Pois ela tem sua raridade
    O silêncio pode contar Basta você parar e ouvir Ele pode dizer muita coisa Para assim buscar refletir

    Adriano Silva, aluno do 3º ano Ensino Médio, Colégio Estadual Olavo Alves Pinto, Retirolandia - Ba.

PRÍNCIPE DESENCANTADO

Um príncipe desencantado pelas mentiras cometidas, Um coração curando-se de uma ferida , e eu desiludida. Não vai ser a primeira e nem ultima vez , Que vou sentir esse vazio cometido por imprevistos da vida Por otários sem verdade no olhar. 'Mas não se revolte com isso' É tão legal dizer isso , Quando não se sabe, o quando é irônico você ver uma pessoa que Se dizia tão verdadeiro, quebrar tua cabeça em pedaços.


Lorena Dias, aluna da 2ª série do Ensino Médio do Colégio Estadual Olavo Alves Pinto, Retirolandia -Ba.

Foi o Silêncio que contou



A tristeza se libertou;
O mundo não faz sentido agora;
Tudo parece torto de ilusão;
Só resta esperar uma definição.
Separe cada gota de fantasia;
Transforme essa paranoia em decisão;
O silêncio, obscuro e doce;
Reflete ficção.
Repousa, no soneto da brisa do infinito;
Corrobora cada felicidade;
Te renasce do profundo ardor alvoroçado;
Convoca tua emoção ao máximo.
Minha alegra és tua alegria;
Meu coração se arrasta em cada caco espalhado;
Estremesse meu sobrenatural;
Te dou minha audição, principal razão.






























 
Teaslei Santos Aluno da 3ª Série do Ensino Médio do Colégio Estadual Olavo Alves Pinto, Retirolandia - Ba.
 



 

Canção do Retirante


Minha terra tem sisal
Palmeiras aqui não tem,
As aves que antes cantavam,
Hoje não canta mais para ninguém.

Nossa terra está sem chuva
Isso só nos castiga,
Estão destruindo tudo,
Da melancia à urtiga......


Sozinho a noite eu fico a pensar
Numa maneira de reverter isso
E ver de novo o sabiá cantar.

Minha terra tem primores
E muitos não sabem valorizar
Por isso a seca chega
E não quer mais voltar.

Não permita Deus que eu morra
Por isso eu vou rezar
Para todos esses problemas
De uma vez acabar.

Amanda Góes. Aluna do 2º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Olavo Alves Pinto - Retirolandia - Ba.

A DECADENCIA DA MÚSICA BRASILEIRA


Por Nandy Martins

Infelizmente a música brasileira não possui mais conteúdo, mensagens, poesias ou rebeldia com justa causa. As músicas não são mais utilizadas para defenderem ideais. 
Muita coisa mudou e deixou saudades da época em que o Brasil tinha grandes compositores e cantores, como Renato Russo, Cazuza e Tom Jobim, sem contar as maravilhosas letras que traziam mensagens Musica_ruimprofundas, que se misturavam com tudo o que vivíamos e sentíamos...
Há muito tempo atrás, podíamos dançar ou escutar verdadeiras músicas. Naquele tempo existiam verdadeiras canções, e hoje nos deparamos com a triste realidade em que qualquer um, com ou sem dom, compõe, canta e faz sucesso! Vivemos numa época em que o ridículo é muito bem aceito. Assim vamos sendo obrigados a escutar hits como "tchê tchê Rere” ou “ai se eu te pego"
Esses dois hits citados são apenas dois exemplos patéticos do quão ruim é o momento da música brasileira. O pior é que esses sons estão dominando o país e as verdadeiras letras estão ficando em segundo plano. Claro, não é? Já que o sucesso se alcança criando uma estrofe tosca e bolando um gingado mais tosco ainda.
A verdade é que as letras atuais são tão ridículas que não deveriam ser chamadas de músicas. Parando de lamentar e tentando entender (se é que é possível) como chegamos nisso? Como podemos ouvir ou dar ibope a algo tão ruim?

Clássicos da música brasileira
A culpa em parte é do mercado da música, que passou a produzir dois tipos de cantores: o comercial e o artista. Sendo que o primeiro é bom porque faz um hit que estoura nas paradas de sucesso, como o rebolation. Só que essa música, por ser um produto descartável, não será relembrada por muito tempo. O segundo tipo é composto por aqueles que realmente possuem talento, que são raros. Aqui entra a parcela dos outros culpados: Nós, consumidores! Temos dado tanto ibope para diversas porcarias que nem mais reconhecemos os bons artistas!
Enquanto mantermos essa postura não teremos grandes compositores ou cantores, teremos apenas palhaços com suas músicas vergonhosas. Na verdade, grandes sábios, não é? Porque o termo "palhaços" se encaixaria melhor a nós, por sermos adeptos ao lixo que circula por aí!

ARTIGO DE OPINIÃO

É comum encontrar circulando no rádio, na TV, nas revistas, nos jornais, temas polêmicos que exigem uma posição por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o autor geralmente apresenta seu ponto de vista sobre o tema em questão através do artigo de opinião.

É importante estar preparado para produzir esse tipo de texto, pois em algum momento poderão surgir oportunidades ou necessidades de expor ideias pessoais através da escrita.

Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, precisa apresentar bons argumentos, que consistem em verdades e opiniões.

O artigo de opinião é fundamentado em impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são fáceis de contestar.

Para produzir um bom artigo de opinião é aconselhável seguir algumas orientações. Observe:

a) Após a leitura de vários pontos de vista, anote num papel os argumentos que mais lhe agradam, eles podem ser úteis para fundamentar o ponto de vista que você irá desenvolver.

b) Ao compor seu texto, leve em consideração o interlocutor: quem irá ler a sua produção. A linguagem deve ser adequada ao gênero e ao perfil do público leitor.

c) Escolha os argumentos, entre os que anotou, que podem fundamentar a ideia principal do texto de modo mais consciente, e desenvolva-os.

d) Pense num enunciado capaz de expressar a ideia principal que pretende defender.

e) Pense na melhor forma possível de concluir seu texto: retome o que foi exposto, ou confirme a ideia principal, ou faça uma citação de algum escritor ou alguém importante na área relativa ao tema debatido.

f) Crie um título que desperte o interesse e a curiosidade do leitor.

g) Formate seu texto em colunas e coloque entre elas uma chamada (um importante e pequeno trecho do seu texto).

h) Após o término do texto, releia e observe se nele você se posiciona claramente sobre o tema; se a ideia está fundamentada em argumentos fortes e se estão bem desenvolvidos; se a linguagem está adequada ao gênero; se o texto apresenta título e se é convidativo e, por fim, observe se o texto como um todo é persuasivo.

Reescreva-o, se necessário.
Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Equipe Brasil Escola

Ser meigo

                                           
Atualmente, são as perguntas que movem o mundo, são os inteligentes capazes de fazer grandes descobertas para usufruirmos, mas as pessoas nunca param para perceber tamanha importância que elas são para a sociedade. Ser meigo, não é dizer que você tem que está sempre feliz, distribuindo sorrisos, às vezes precisamos de grandes conselhos, apertados abraços para descobrir que somos capazes de sermos amigos uns dos outros, de sempre ajudar e dá atenção as pessoas, pois ter caráter é fundamental para conseguirmos alcançar nossos objetivos e não tem nada melhor do que ultrapassar o seu limite a cada dia, aprender coisas novas e construir novas amizades.

Por Teaslei Santos, aluno do 3º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Olavo Alves Pinto. Retirolandia.

Ambiguidade

Afinal, o que é ambiguidade?

Em termos gerais, a palavra ambiguidade traduz a ocorrência de mais do que um sentido em palavras, frases.

Exemplos: Crianças que recebem leite materno freqüentemente são mais sadias.

As crianças são mais sadias porque recebem leite freqüentemente ou são freqüentemente mais sadias porque recebem leite?

Eliminando a ambigüidade: Crianças que recebem freqüentemente leite materno são mais sadias.
Crianças que recebem leite materno são freqüentemente mais sadias.
Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes que estava sobre a cama.

O que estava sobre a cama: o estojo vazio ou a aliança de diamantes?

Eliminando a ambigüidade: Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes a qual estava sobre a cama.
Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes o qual estava sobre a cama.

Observação: Neste exemplo, pelo fato de os substantivos estojo e aliança pertencerem a gêneros diferentes, resolveu-se o problema substituindo os substantivos por o qual/a qual. Se pertencessem ao mesmo gênero, haveria necessidade de uma reestruturação diferente.

Aquela velha senhora encontrou o garotinho em seu quarto.

O garotinho estava no quarto dele ou da senhora?

Eliminando a ambigüidade: Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dela.
Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dele.

Ex.: Sentado na varanda, o menino avistou um mendigo.

Quem estava sentado na varanda: o menino ou o mendigo?

Eliminando a ambigüidade: O menino avistou um mendigo que estava sentado na varanda.
O menino que estava sentado na varanda avistou o mendigo.
 

Dicas de Português: Polissemia

Consideremos as seguintes frases:

Paula tem uma mão para cozinhar que dá inveja!
Vamos! Coloque logo a mão na massa!
As crianças estão com as mãos sujas.
Passaram a mão na minha bolsa e nem percebi.

Chegamos à conclusão de que se trata de palavras idênticas no que se refere à grafia, mas será que possuem o mesmo significado?
Existe uma parte da gramática normativa denominada Semântica. Ela trabalha a questão dos diferentes significados que uma mesma palavra apresenta de acordo com o contexto em que se insere.

Tomando como exemplo as frases já mencionadas, analisaremos os vocábulos de mesma grafia, de acordo com seu sentido denotativo, isto é, aquele retratado pelo dicionário.

Na primeira, a palavra “mão” significa habilidade, eficiência diante do ato praticado.
Nas outras que seguem o significado é de: participação, interação mediante a uma tarefa realizada; mão como parte do corpo humano e por último, simboliza o roubo, visto de maneira pejorativa.

Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo percebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo. Possibilidades de várias interpretações levando-se em consideração as situações de aplicabilidade.

Há uma infinidade de outros exemplos em que podemos verificar a ocorrência da polissemia, como por exemplo:

O rapaz é um tremendo gato.
O gato do vizinho é peralta.
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.

Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua sobrevivência
O passarinho foi atingido no bico.


Em tempo de Eleições, o povo às vezes esquece que existe algo primordialmente livre e intransferível, o voto. O cidadão deve de forma livre exercer sua vontade e escolher o candidato que lhe convier.
Mas, nestes dias,  em nossa cidade há uma espécie de “Avenida Brasil”, ou seja, a luta de uns contra os outros, quando na verdade deveriam estar “Lado a Lado” e viver uma amizade que fosse “Amor Eterno Amor”, mas o que vemos é uma verdadeira “Guerra dos Sexos” que muitas vezes vira “Casos de Família” e ficamos numa “Cidade (em) Alerta”.
Os nossos finais de semana que poderiam ser uma “Sessão da Tarde” tem momentos de podem ser comparados a um “Chocolate com Pimenta” e todos entram numa verdadeira “Malhação” com o outro, e ai já sabe, tem gente que é “Rebelde” e acredita que pode alcançar seus objetivos “Custe O Que Custar”, e entra numa de “Tapas & Beijos” quando deveria embarcar num “Carrossel” e viver um “Encontro” de amigos “Fantástico” e fazer um “Programa Legal” por que “A Tarde é Sua” e tem “A Cor do Pecado”.
Os ânimos acirram-se, mas depois tudo volta ao normal e “O Domingo (fica) Espetacular” e as boas coisas “Valem a Pena Ver de Novo”, pois tem momentos que é “Bom de Mais” e tudo volta a ser uma “Grande Família” e, mesmo que seja uma “Zorra Total” tem “Tudo a Ver” porque o que conta mesmo são as amizades que deve sempre prevalecer, pois amigos eu “Sou “Mais Você”.

Idelbrando Mota de Almeida, professor licenciado pela Uneb:
Leciona Língua portuguesa & Literatua brasileira no Colégio Estadual Olavo Alves Pinto, Retirolandia, Ba.

A greve dos professores do estado da Bahia no contexto Retirolandense

Hoje faz cinqüenta dias corridos de ocorrência da maior manifestação pública da categoria de professores da rede estadual de ensino do estado da Bahia. E mesmo com corte salarial de dois meses, os grevistas, em sua grande parte, permanecem na greve. Não é novidade, na sociedade ocidental o manifesto em forma de greve. Os primeiros indicativos, segundo o historiador Thompson, eclodiram na Inglaterra e se espalharam pelo mundo nos moldes do Iluminismo com forte influência da revolução francesa. Esse recorte contextual-ideológico demarca a intelectualidade, marca da racionalidade, presente no movimento grevista. É bom também salientar que, dentro do modo de produção capitalista, a greve é um mecanismo para suavizar, e não resolver, a opressão da mão-de-obra que se vende ao esquema da mais-valia, onde os lucros agregados se condensam nas mãos dos proprietários dos meios de produção, da propriedade privada e das gestões dos órgãos sociais. A greve no capitalismo, em outras palavras, se configura como uma estratégia para reivindicar a minimização da diferença daquilo que se produz com a força do trabalho e aquilo que se recebe por trabalho prestado. Toda greve, sendo assim, tem seu fundo de razão. É posto a debate moldes de desigualdade com que a nossa sociedade está organizada. E por mais contraditória que seja, a nossa sociedade, como já dizia Karl Marx, é desigual e combinada. A desigualdade está presente nas lutas de classes sociais e o ajustamento dessa desigualdade no patamar da relatividade/ dependência que existe entre elas, essa ultima caracteriza a combinação. O que há de novo na greve dos professores do estado da Bahia? Exatamente nada, se formos analisá-la com base no materialismo histórico. O estado é o meio de opressão, porque ele capitalizado, detém parte dos meios de produção e o controle e utiliza-se dessas para vigiar, punir e oprimir. Não me cabe realizar uma leitura partidarista, mas entendo que, mesmo com a mesa virada para a antiga direita que dominou o cenário político do estado por anos consecutivos, as estratégias da nova direita-antiga esquerda se apresentam tal como o qual. O que se percebe é que as raízes de enfrentar a greve estão muito mais além do que uma questão partidarista. Diria o sociólogo Boaventura de Souza Santos que a consciência que é utilizada para tratar esse fenômeno está nos moldes do colonizador. A forma como a sociedade encara, se divide em opiniões múltiplas e posturas, com relação à greve, desnuda aquilo que chamarei de “ranço da colonização, branca, européia, portuguesa, burguesa e colonialista”, num país onde o trabalho começou forçado, braçal, com índios e negros. Esta aí a chave da compreensão. Temos internalizado que o trabalho intenso não é coisa de burguês, visto que a exploração da mão-de-obra sempre foi de exploração e não de acumulação e ascensão social – longe de mim afirmar que não existe mobilidade social no Brasil. E como surgiu a escola no Brasil? Existe um longo debate sobre esse tema, mas em suma ela apareceu para a classe dominante para que eles ocupassem seu tempo com as letras e as artes. Por isso o esforço das campanhas políticas de disseminar a educação para todos, e desconfio que jamais será, pois ela não foi criada para esse fim. Os docentes, sobretudo os jesuítas, ou as filhas dos senhores coloniais é quem ministram as aulas régias, cruzando uma perfeita harmonia entre religiosidade e gênero feminino que vão marcar profundamente a atividade docente até os dias atuais. É com base nessas afirmativas, que estão as justificativas do não-greve ou do retorno dela antes mesmo do seu desfecho. Está embutida a falsa ( ou ingênua) idéia de que a docência é uma das poucas profissões que é movida por várias afetividades, e estas mergulhadas em uma simbiose religiosa e feminina. O docente trabalha por amor! Ao longo da história o rótulo se repetiu e se tornou uma verdade quase que inquestionável. O que criticamente pode ser considerado como uma genealogia da docência, ou seja, a criação visando à dominação, ao empoderamento da docência, para vigilância e punição dos corpos pelos grupos dominantes, entre eles o Estado. E essa estratégia nem só domina os alunos para respeitarem religiosamente seus professores (o que na atualidade tem sido uma realidade de desrespeito de ambas as partes no cotidiano escolar), mas dominaram os professores e os paralisam muitas vezes na racionalidade da luta de classe. Aqui então me aproximo do tema dessa matéria. Retirolândia, um município pequeno, historicamente carente no que se refere a políticas educacionais, seria aqui um exemplo clássico do descaso para com a educação no Brasil. Crianças exploradas pelo trabalho infantil, em rígidos moldes numa família tradicional e operária, com informações distorcidas sobre o mundo e as coisas, compõem a base da história de vida de boa parte dos pais dos jovens alunos dos dias de hoje. Mal escolarizados, ou pior ainda, não escolarizados. Como essas pessoas entenderão a intelectualidade da greve? Parece ser um jogo de coincidências, 50 anos de municipalização, 50 dias de greve!. São duas histórias, uma dentro da outra que se transbordam numa análise crítica. Os professores efetivos da rede do estado da Bahia de Retirolândia ousaram nessa atual greve e permaneceram até o dia de hoje no manifesto de classe que conta com uma série de arbitrariedades do governo. Além do corte salarial, do desgaste emocional acompanhando os noticiários a fim de ver o desfecho disso tudo, conta com uma considerável incompreensão da sociedade local que não entende, ou não se abre ao entendimento da greve. Por mais ingênuo que seja o discurso de “quem sai prejudicado com tudo isso?” é o mais eficiente dos discursos na greve dos professores. Essa frase infantil é mais adulta do que se pensa. Ela tem o poder de transferir a responsabilidade de um Estado que oprime, que avacalha a educação, sucateia a instituição para a práxis docente. E os professores quando param de dar aula (e aqui cabe ressaltar que para a sociedade e o governo qualquer aula já está bom demais) deixam de amar seus alunos. Como os pais dos alunos da escola pública são operários o importante é que a escola funcione de qualquer forma, para que os professores acumule no seu ofício a obrigação da maternidade/paternidade no seu turno de trabalho, para cumprir um papel que caberia a família. Finalmente vi uma equipe docente forte para resistir a muitos dias de taxação local. E essas taxações estão potencializadas por conta das redes sociais. No facebook, MSN as cobranças são constantes. Alguns professores voltaram e usam o discurso da afetividade para fazer valer seu regresso: “meu coração me manda voltar”. Mas, quando se trata de condições trabalhistas, é hora de usar a razão e não as emoções descontroladas. A escola da forma como está, não apenas com a questão do salário do professor que é péssimo em todo país, mas a infra estrutura, o projeto que põem em xeque a qualidade escolar, pode afetar, aí sim, em sérios riscos cardíacos para os professores, que adoecem nas salas de aulas medíocres do Brasil. Como a maioria da população de Retirolândia tem descendência direta dos negros e índios, herdou boa parte da lavagem cerebral que fizeram na colonização com seus ancestrais. Oprimidos, sem informações, sem crítica aceitam determinados discursos sem questioná-los. Aqui, posso falar isso com propriedade, as pessoas não são as melhores em reivindicar seus direitos, são ótimas para dar um jeitinho aqui outro acolá. Os professores contratados voltaram para sala de aula. Obrigados sob vários aspectos. Dois deles: o medo de perder o contrato e aumentar a fila dos desempregados do município e outro não menos importante pressionados pelos políticos ou cabos eleitorais que os puseram nesse trabalho para sustentar o grupo político do governador do estado. Mas o discurso não é bem este, é esse: “Voltamos por que os alunos são os mais prejudicados”. Aí falta-lhes a coragem para assumir que a genealogia da docência é uma farsa e no cotidiano escolar, poucos professores se sacrificam para lutar e se expor para um projeto educacional de verdade. Trato dessa questão com certa radicalidade por que ontem, em uma assembléia para redefinir os contornos locais da greve, pudemos notar que o horário especial criado pela direção da escola não seguia rigorosamente padrões trabalhistas e nem éticos. Professores pagos para cumprirem 20 horas semanas deram apenas a metade (ou pouco mais) de sua carga horária, forçando a realidade e criando a ilusão de que voltaram a trabalhar. Acredito que essa não é a postura mais adequada para os professores que voltaram e se dizem amar os alunos. A junção de duas turmas, como foi verificada nos turnos da manhã e tarde elucida que os docentes que voltaram não estão programados em suas horas/aulas para fazer a escola valer a pena, pelo menos em suas cargas horárias. Eu amo ser professor, como qualquer outro profissional realizado em si ama sua profissão. Não amo mais que ninguém. Amo na medida, por que é loucura amar descontroladamente o trabalho, já que ele é opressor. Tenho prazer de estar na escola mesmo quando não tenho pais participativos no decorrer do ano letivo, quando não tenho os melhores alunos (aqueles que estudam, que discutem, que aproveitam os recursos didáticos) por que sei que a estrutura se encontra desta forma por que a educação nunca foi prioridade. Parabéns aos professores que estão lutando em greve. Não existe na história de nosso estado aula mais rica de cidadania e organização social para o século XXI. E aos colegas que voltaram, nada disso me é estranho. Imagino que para uns voltar agora lhes custa muito caro, mas por outro lado sempre existiram os professores alienados. Em Retirolândia a opressão de anos de gestão municipal de poder centralizado fizeram vale o poder do cabresto. As pessoas temem a ousar e se fazem de desentendidas quando o assunto é reivindicação. Como exemplo recente, é só observar a participação dos professores municipais na câmara de vereadores na ultima segunda reivindicando a proposta de aumento salarial. Eu entendo que o cabresto não é um mecanismo de um grupo apenas, por que quem domina também está legitimando. Como citei antes isso está para além do partidarismo e faz parte da contradição da luta de classe. O bom é que estamos unidos numa proposta estadual com alunos que nos entendem e pais que esperam ansiosos a resolução desse dilema. E até onde for resistência estarei firme para dizer que sei brigar por aquilo que é meu de direito. Ms. Matteus Freitas de Oliveira

Professores da Rede Estadual de Ensino de Retirolândia protestam contra o não do Governo ao índice acordado e ao corte do ponto

Os professores da rede estadual da Bahia estão em greve, desde 11 de abril, exigindo do Governador Wagner a aplicação integral da Lei do Piso e o cumprimento do Acordo assinado com o APLB-Sindicato (aumento de 22%, índice previsto na lei a partir do custo/aluno instituído pelo Fundeb), mas o mesmo além de não cumprir o acordo assinado, ainda cortou nosso ponto de forma desproporcional e sem critérios. O Governo diz que não pode conceder o aumento que é lei e foi assinado por ele, com a alegação da “Lei de responsabilidade fiscal”, mas não esclarece à população quanto está gastando na construção da Arena da Fonte Nova. Será que futebol é mais importante que Educação? Nós Professores do município de Retirolandia, realizamos nesta quarta-feira, 02/05/2012, uma manifestação pública que teve inicio na Praça da Igreja Matriz e depois percorreu algumas ruas do centro da cidade com a participação de pais, alunos e professores aposentados e a sociedade civil. O principal objetivo desta manifestação foi esclarecer a população à atual situação das Escolas públicas do Estado. Do sucateamento da educação pública em todos os níveis. Da falta de incentivo aos docentes, da falta de condições dignas de trabalho e o mínimo para os alunos, como falta de cadeiras para sentarem confortavelmente, material de limpeza, material didático: papel, pincel atômico e ofício. Da falta de professores da área de exatas: Química, Física e Matemática, que foram aprovados em concurso público há mais de dois anos e não foram efetivados e, se não bastasse este concurso, foi realizado recentemente uma seleção do “Reda” e nem mesmo assim os aprovados foram convocados. Que nosso município também não tem coordenador pedagógico atuando nas Escolas, porém tem uma filha da cidade aprovada em concurso e não convocada. A presença de um coordenador pedagógico é de extrema importância no planejamento e assessoramento dos trabalhos docentes e discentes. “Uma educação de qualidade se faz com a formação crítica de nossos alunos, pois o professor é um aliado no seu crescimento intelectual e não apenas um transmissor de conteúdos, enfatizou os professores.” Continuaremos em greve até a próxima Assembleia a ser realizada, segunda-feira, dia 10/05/2012, em Salvador. Professores do município de Retirolandia, “Retroceder Nunca, Render-se Jamais.”

Acordei no céu


Era uma bela noite. Aquele clima bom de outono, nenhuma nuvem no céu. Ótima oportunidade para mais uma noitada. Tomei um belo banho, vesti minha melhor roupa, liguei para os amigos e peguei o carro.
Estava muito animado, aumentei o som do carro no último volume e acelerei até perceber, subitamente, que já ia aos 200 quilômetros por hora. Melhor ainda, assim chegaria mais rápido, pensei.
A noite foi muito boa, como sempre. Eu cometia o proibido, o que me fortalecia e me fazia sentir poderoso, e nada me acontecia. Isso me fazia sentir um super heroi dos tempos atuais. Tudo naquela noite, como sempre, estava rodeado de álcool, azaração e muita música.
Já pela madrugada, resolvi ir embora. Estava cedo e era fim de semana, mas umas horas a mais ou a menos não fariam diferença. Uma pessoa em sã consciência pegaria um taxi, mas ali nem havia bafômetro, então eu não via motivos.
Arranquei à toda velocidade, e lembrei-me de como era bom quebrar as regras. Tudo pra mim era natural e não incluía nenhum perigo, inclusive ultrapassar o sinal vermelho.
Foi numa dessas ultrapassagens, aliás, na ultrapassagem daquela noite, que tudo aconteceu. Quando dei por mim, já estava há menos de um metro do poste que me levaria a um lugar que eu nem acreditava existir: o céu.
Ao contrário da tradicional imagem de um lugar azul sobre as nuvens, o céu era muito semelhante à o que, na terra, chamaríamos de hotel 5 estrelas. Na recepção, havia um homem grisalho e barbudo, com vestes em tom de nude e azul, e algumas chaves na mão.
Logo fui interrogado: “Qual o nome do réu?”, e respondi “Tarcísio Freitas”, temendo o veredito. “Dossiê de Tarcísio Freitas, por favor”, declarou o homem, ao estalar os dedos.
Apareceram então criaturas que eu supunha ser anjos, mesmo sem asas ou auréolas. “Aqui está, São Pedro”, declararam.
Claro, São Pedro! Como eu não tinha pensado nisso antes? Seria julgado por aquele que possuía a chave dos céus, o manda chuva.
Começou a analisar meu dossiê. “Hm, porte de drogas, noitadas, exagero no álcool, descumprimento de regras... Como eu imaginava. Entrada negada.” O que? Eu não poderia entrar no céu? Não era possível. Haveria um jeito de concertar aquilo.
“Não posso recorrer diretamente à Deus?”. Em pensar que há minutos atrás eu nem acreditava em sua existência. Então São Pedro puxou o interfone e chamou: “Senhor Juiz, poderia comparecer à recepção?”. Senhor Juiz. Então era assim que eles chamavam Deus por ali. “Ele já está descendo”, falou.
Após alguns minutos, percebi uma luz estranha na porta do elevador. Olhei para o lado, e a porta se abriu, mostrando a imagem de um cara que eu nunca diria ser Deus, pois estava mais para criador do “Facebook”. Jovem, rosto sereno, roupa social e ao mesmo tempo descolada. Então aquele era o tão famoso Deus.
“Qual o problema desta vez, Pedro?”, Deus falou, e logo foi respondido: “este energúmeno deseja entrar ao céu, veja só que absurdo”. Tentei me defender: “mas Senhor, ouça ao menos meu pedido de desculpas e declaração de arrependimento”. “Arrependimento... na hora que o cinto aperta, todo mundo se arrepende”, riu São Pedro.
“Pedro, você está aqui para interceder, e não para decidir ou julgar. Ponha-se no seu lugar”. “Desculpa, só estava tentando ajudar”, disse São Pedro, cabisbaixo. “Querido Tarcísio, desculpe-me, mas não posso conceder a entrada a quem não vejo estar arrependido de coração. Realmente terei de negar sua entrada. Dê-lhe as informações, Pedro”. “O inferno fica no próximo quarteirão, à direita, número 666”. A única coisa que pude dizer foi um mero “obrigado”.
Me dirigi ao tão temido lugar, que a princípio não parecia nada assustador. Era um lugar aconchegante e atraente. Era. Até que comecei a sentir um calor, e percebi o fogo queimando meus pés. Dei-me conta de que não podia domá-lo, e ele foi tomando conta das minhas pernas, foi subindo... até que me desesperei: minhas nádegas estavam em chamas!
Acordei subitamente, com um susto. Olhei para baixo: nada queimava. Estava bastante suado e então notei que havia pegado no sono enquanto lia “Cristal na Veia”, durante uma bela noite de outono...



Izabella Baldoíno Almeida, estudante da 1ª série do Colégio Olagarina Pintangueira, Coité - Ba.

É, a culpa é do professor...


Sou professor. Pronto, já disse tudo, a culpa é minha! É óbvio que os únicos culpados por toda a falência da educação são os professores. Todo mundo sabe disto.
Basta perguntar aos ausentes pais, aos irresponsáveis alunos e incompetentes governantes que a resposta será dada em coro: “a culpa é dos professores!”. Eis minha culpa:
Por diversas vezes vi alunos cometendo absurdos, sendo alguns destes absurdos até mesmo um verdadeiro show de horrores. Já vi alunos cuspindo no chão (culpa do professor), outros jogando chicletes no chão (culpa do professor), saindo da sala sem autorização ou contrariando ordem do professor para não saírem (o culpado é o professor).
Alguns falam palavrões sem o menor pudor (o professor que ensina?), outros mostram o dedo médio na frente de qualquer um (o professor que ensinou isto também?).
E as agressões físicas, será que o professor manda os alunos se agredirem? E os celulares tocando então, um verdadeiro escárnio. Alguns alunos saem no meio da aula para atender, outros ainda pedem para o professor esperá-lo enquanto atende e uma minoria pede licença e pergunta se pode atender. O pior de tudo é que algumas das ligações vêm dos próprios pais. Eu não atendo o meu celular quando estou lecionando, mas com certeza sou culpado pelos celulares dos meus alunos quando tocam.
Se estivesse lendo este texto ao invés de escrevê-lo provavelmente iria pensar: “Será que este professor é indulgente?”. Já imaginando esta dúvida esclareço que vejo tudo isso acontecendo com professores de todos os tipos, até mesmo com os mais exigentes ou rigorosos.
Então o que será que aconteceu para os alunos chegarem a tal ponto? Como a culpa é sempre do professor, talvez nós educadores não tenhamos aprendido a ser babás, psicólogos, terapeutas, pais adotivos, padrastos ou madrastas, etc., portanto, a culpa é nossa. Em várias escolas que já lecionei ou conheci me deparei com os mesmos perfis de alunos, variando apenas de acordo com a localização (centro ou periferia, sudeste ou nordeste), o curso (fundamental ou médio), a instituição (pública ou privada), a série, etc.
Agora pergunto: “como posso ser culpado pela decadência de um aluno que já chega para mim pela primeira vez aos onze, quinze ou dezoito anos de idade cheio de manias? Como posso educar um jovem que não recebe educação em nenhum outro lugar? Como vou conseguir exigir que meu aluno estude se nossos governantes permitem e algumas vezes até exigem que qualquer aluno seja aprovado?”
Muitos criticam a escola e o professor, mas cadê o caminho para que nosso trabalho seja produtivo e possa surtir efeito? Muitos nos culpam, mas não apresentam planos de educação eficientes, que sejam pedagógicos, e não políticos. Ficam no “achismo”, mas achar é fácil, o difícil é fazer.
Sou culpado por tudo de errado que faço, mas não posso ser culpado pela ausência da família, pelo menosprezo dos políticos e pelo descaso dos alunos.
Como educador não digo que não sei mais o que fazer, mas escuto isso constantemente da boca dos pais dos alunos. Não abandono a educação, mas noto que isso já foi feito há tempos pelos nossos líderes. Não deixo de cumprir minhas atividades, mas muitos dos meus alunos “esquecem-se” de cumprir suas funções estudantis.
Desde que me entendo por gente a culpa pelos percalços da educação é do professor. Mas além disso, desde que me entendo por gente me lembro que minha família me ensinou a respeitar os mais velhos, incluindo os meus professores, portanto, não acho que a culpa quando o meu aluno falta com respeito comigo ou com seus colegas de escola seja minha. Quando eu era aluno há algum tempo atrás já existiam drogas, violência e os professores já eram culpados pela má qualidade da educação. Na época, eram raros os crimes banais como filhos matando pais, netos matando avós, pais matando os filhos e alunos matando alunos, mas hoje tudo isto é muito comum, com estas notícias constantemente na mídia. Será que nós professores somos os culpados por tudo isto também?
Afinal, se a culpa pelos males do mundo é dos educadores, por que não fecham as instituições de ensino e passam a função aos sábios de plantão? Com toda certeza o mundo seria muito melhor sem nós “incompetentes” professores que estragamos a vida dos alunos, dos pais dos alunos e da sociedade em geral.
É claro que existem péssimos professores, mas a sociedade não tem o direito de igualar todos os profissionais da educação da mesma maneira. Os médicos não são todos inábeis só porque alguns esquecem o bisturi dentro do paciente. Os policiais não são todos vis só porque alguns são infames. Os políticos não são todos devassos só porque alguns são corruptos.
Todos os dias alguém critica um professor, mas é raríssimo vermos alguém agradecido por ter sido aprovado em um concurso ou vestibular, uma vaga de emprego, etc. Então quer dizer que quando um indivíduo se dá mal na vida o culpado é o professor que lhe deu aulas, mas quando este indivíduo é um vencedor o mérito é só dele, ele que é inteligente?
Enfim, declaro-me culpado por ter deixado de ser egoísta para compartilhar meu conhecimento com meus alunos. Sou culpado por tentar educá-los, por tentar fazê-los evoluírem.
Sou culpado por ser professor.

Prof. Iranildo.